22 de janeiro de 2021


                                               Cidades e Empoderamento*

 

 

1.    Introdução

 

Para implantar um plano de Gestão Compartilhada Científica, uma maneira de trabalhar em rede para encontrar a sustentabilidade necessária em instâncias da vida urbana. Assim estamos lançando o Ecolondrina. Para sua eficiência e fixação junto à população levanto um aspecto fundamental na ordem dos atores envolvidos. Trata-se do empoderamento. O empoderamento significa capacitar a ação coletiva desenvolvida pelos sujeitos quando participam de espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos direitos sociais. Essa consciência supera a iniciativa individual de conhecimento e superação de uma situação particular realidade em que se encontra, até atingir a compreensão de teias complexas de relações sociais que informam contextos econômicos, social, político e cultural mais abrangentes.

O empoderamento possibilita a emancipação individual, quanto à emancipação da consciência coletiva necessária para as ações implementadas. Enfim, superação da condição de desempoderamento, desarticuladas, fragmentadas, diluídas pela falsa noção da individualidade as quais não podem se desenvolver se não tiverem um tipo de poder ao seu controle. Poder participar, poder falar, poder, ouvir, poder opinar e poder participar. Essa é uma noção que perpassa o centro do debate atual sobre as possibilidades e limites do desenvolvimento sustentável, ou melhor, dizendo do envolvimento sustentável.

       Empoderar-se implica em assumir compromissos junto à comunidade. Participar de todos os processos e mecanismos que favoreçam a criação e ampliação de espaços e situações de empoderamento. Assim constrói-se a participação ativa dos atores em cena, com a soma das ações e condutas de efetiva e contínua participação nas mudanças necessárias para melhor viver no local onde decidimos viver. Por isso esse local é cuidado, é participativo, é envolvente. O empoderamento também devolve a dignidade a quem desejar a liberdade de decidir e controlar seu próprio destino com responsabilidade e respeito ao outro, as diferenças, a diversidade e a sensibilidade de perceber os potencias que circundam o local onde vivemos a casa, a rua, a quadra, o bairro, a cidade e região. O empoderamento, nessa dimensão, constitui-se numa afirmação das possibilidades de realização plena dos direitos das pessoas. Em síntese, o empoderamento representa papel na mobilização social em torno de contextos específicos como, o de transformar o local onde vivo orientado também significativo espaço institucional de articulação e emergência de todos os atores envolvidos na transformação democrática e na ampliação compreensiva e cuidadosa da relação homem e natureza.

 

2.    Um novo começo: era da sustentabilidade

 

A Sustentabilidade envolve um princípio que agregue as melhores intenções e as melhores ações e experiências construídas ao longo do tempo. A elas se somam os potenciais que no cotidiano emergem como descoberta do amanhã. Das ciências as tecnologias, das experiências ao novo que brota, a sustentabilidade é o sonho que nasce com características mais próximas do melhor da condição humana possa expressar em verso e prosa, em teoria e prática, em cotidiano e futuro, no hoje e no amanhã. Esta sustentabilidade buscada se revele como novo, dentro de aspectos que possam traduzir um salto qualitativo do fazer anterior. Este fazer repleto de individualismo, de isolamento, de fragmentação, de competição. Por um fazer repleto de coletivo, de unidade, de cooperação, de solidariedade, de busca conjunta. Que priorize a participação e o envolvimento de todos numa compreensão do tempo, espaço e necessidades de enfrentar os desafios e entraves do presente tendo em vista um futuro necessário.

A sustentabilidade deve ser entendida como um ideal de vida que compatibilize economia e ecologia numa mesma equação. Com políticas públicas sérias e bem formuladas que tenha continuidade e, sobretudo aceitação, respaldo e legitimidade junto às populações. Buscar a sustentabilidade implica em vivenciar um momento de Inquietações aberto as novas formulações, em busca de resolver alguns dos grandes   desafios globais e, sobretudo de desafio local.

 Essas mudanças no contexto da sustentabilidade visam o propósito de melhoria das condições da qualidade de vida para todos. Esse envolvimento participativo resulta na promoção de  um modelo ambientalmente equilibrado e socialmente e economicamente mais equitativo. Que supere os limites de uma compreensão essencialmente ambiental e contemple também sua dimensão econômica, social, política e cultural. Um modelo ecocidadão que, no percurso, provoque mudanças de atitudes e valores para gerar novas formas de cidadania. Ser sustentável implica em seguir um novo mapa que  incorpore a ciência com  qualidade para se chegar a felicidade. Que procure integrar toda a teia da vida, de forma, equilibrada, prudente. Que reconheça que somos humos que dá sentido a nossa humanidade. Uma terra fértil que faz brotar árvores e flores que colorem a vida com toda sua exuberância. Que não permita jamais esquecer que Terra e Humanidade possuem a mesma origem e o mesmo destino. Em síntese, que incorpore a prudência e a decência na nova forma de construir o processo civilizatório que comece e se instale pelas cidades.

 

 *Paulo Bassani é filósofo e Sociólogo

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