19 de maio de 2021



Ecolondrina: empoderar para transformar*
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    Estamos lançando o Ecolondrina. Trata-se de um plano de gestão compartilhada e científica, uma maneira de trabalhar em rede, em associação, para encontrar a sustentabilidade necessária em instâncias da vida urbana, inicialmente, e depois a rural, para atingir o território em sua plenitude.
        Para que esta plataforma tenha eficiência e vitalidade junto à população cabe destacar um aspecto fundamental, na instância dos atores envolvidos: trata-se do empoderamento. Paulo Freire introduziu este conceito no Brasil nos anos de 1960 através de seu trabalho com a educação entre a população mais pobre. Freire se refere que um processo de empoderamento eficaz precisa contemplar, pelo menos, quatro níveis: o cognitivo onde os atores se conscientizam sobre a realidade e os processos; o psicológico que é ligado à expansão de sentimentos de autoestima e autoconfiança, requisitos para a tomada de decisões; o econômico que relaciona à importância da execução de atividades que possam gerar renda que assegure certo grau de independência econômica; e o político que envolve a habilidade para entender, analisar e mobilizar o meio social para nele produzir mudanças.
      Essa consciência empoderada supera a instância individual de conhecimento e superação para atingir a compreensão de teias complexas de relações sociais que se estabelecem em contextos econômico, social, político e cultural mais abrangentes.
        Trata-se da superação da condição de desarticulados, fragmentados, diluídos, dispersos pela falsa noção da individualidade, as quais não podem se desenvolver, se não existir um tipo de poder ao seu controle. Poder participar poder falar, poder ouvir, poder opinar e poder decidir. Essa é uma noção que perpassa o centro do debate atual sobre as possibilidades e limites do desenvolvimento sustentável, ou melhor, dizendo do envolvimento sustentável.
        Empoderar-se, nesta instância, implica em assumir compromissos junto, e, com a comunidade. Um participar que circula em todas as determinações, todos os processos e mecanismos que favoreçam a criação e ampliação de espaços e situações de participação. Assim constrói-se a participação ativa dos atores em cena, com a soma das ações e condutas de efetiva e contínua participação nas mudanças necessárias para melhor viver no local onde moramos.
        Em síntese, o empoderamento representa papel na mobilização social em torno de contextos específicos como o de transformar o local onde vivo, como também um significativo espaço institucional de articulação e emergência de atores envolvidos na democrática de alto teor que este empoderamento permite e na ampliação compreensiva e cuidadosa de nossa espécie com a natureza.

*PAULO BASSANI é sociólogo e Gestor do Programa Cidade MAIS – 

Publicado originalmente em 13/12/2016  - Espaço Aberto – FL – Londrina - PR




 Cidade MAIS

Um programa de transformação para Londrina*

Estamos propondo um experimento civilizatório sem precedentes em cidades do porte de Londrina. Pois entendemos que esta não poderá simplesmente continuar a ser como era apenas com algumas melhorias (esta forma tradicional de gerir uma cidade) melhorando apenas o existente, mantendo a seta numa única direção. Também não se trata de apenas organizar as cidades implementando a cultura do capital e do mercado pois este caráter expansionista e excludente gera uma cidade desigual.

Precisamos manter vivo o olhar crítico que permita não sermos engolidos numa cultura que separa tudo de bom a uns e tudo de ruim a outros. Nesse modelo em curso somente alguns ganham, se beneficiam do modelo de cidade, mas muitos perdem e não fazem parte deste modelo, está à margem, marginalizados, da cidade real e do poder público.  Pois há cidades, dentro da cidade, para tanto necessitamos criar uma cidade que coletivamente queremos justa, completa para todos. Nesta dimensão entra em cena o poder público local constituído e o poder popular, há necessidade que haja uma sinergia, um empoderamento de ambos, em suas intenções complementares. Pois se assim não fizermos poderemos cair na estagnação ou na barbárie e, não desejamos isso, não queremos isso.

Queremos salvaguardar nossa história com questões que a todos interessam: não a fome, não ao desemprego, não a violência. Mas um sim a moradia, a cidade organizada, limpa e bela. Queremos possibilitar ao cidadão conhecer mais e melhor este propósito, com educação, saúde e segurança compatível em nosso viver, em conjunto com as manifestações culturais, artísticas, esportivas. Com a beleza de nossos fundos de vale, nossos córregos e rios e lagos. Isso tudo resultará num jeito de lidar com a vida, de tratá-la com respeito, cuidado com os direitos e deveres plenos no exercício da cidadania que ocorre todo o dia, o dia todo.

A cidade assim estruturada será regida por uma nova escala de valores que prevalecerá o coletivo, a solidariedade, a paz, a parceria e a participação. Percebe-se que neste sonho, sonhado imaginado, percorrido e concretizado todos ganham ninguém perde. 

*Paulo Bassani gestor do Programa Cidade MAIS, Sociólogo

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